REFLEXÃO1: Antes o desafio era criar soluções para dosar o tempo da criança diante da TV. Hoje administrar o tempo da “família” e o uso dos meios eletrônicos e redes sociais.

 

Reflexão: Antes o desafio era criar soluções para dosar o tempo da criança diante da TV. Hoje administrar o tempo da “família” e o uso dos meios eletrônicos e redes sociais. Vem aí “O SEGREDO DA GALERA” (20.01.2020).

A Pandemia e o retorno das relações presenciais entre pais e filhos. Brincadeiras, canções e contação de histórias.

Surpresa! Com a pandemia os/as atores/atrizes mirins do curso Fontaninha trouxeram em 2020 um repertório de brincadeiras e histórias contadas pelos seus pais. Surpreendente, pois desde o início do curso em 2008 estes relatos eram escassos. A pandemia trouxe de volta a proximidade dos filhos no convívio com os pais em casa. O retorno das brincadeiras, canções de ninar, os Contos de Fadas, histórias, conversas... Trouxeram para o palco um manancial criativo encantador. Em tempo: O OFÍCIO DO ATOR/ATRIZ depende da vivência e observação. Só podemos ser o “outro”, a “personagem” se temos ciência de quem somos.

Atribuo os “créditos” do alicerce de meu trabalho artístico ao Papai e Mamãe por ter regado de encantamento a minha infância. Tive a oportunidade de até os 12 anos receber as visitas do Coelho da Páscoa e do Papai Noel. Eles nunca deixaram de comparecer! As festas de aniversário e do Natal tinham brincadeiras e gincanas (as crianças vendadas tentavam colocar o “rabo do Gato” ou o “bigode no Papai Noel”). Pura diversão! Mamãe organizava, as 6ª feiras a noite jogos na rua: “queimada”, Mãe rica e mãe pobre, “passa anel”, “lencinho na mão caiu no chão”, canções de roda e muitas, muitas histórias. Eram Contos de Fadas e histórias de família. Em noites chuvosas fazíamos teatrinho no quarto. Abria a janela do quarto. A luz da rua iluminava a parede. Subia na cama de meu irmão e a plateia formada pelas crianças da vizinhança sentava em minha cama. “Contava causos” sobre Saci Pererê, historinhas arrepiantes e sinistras. O público amava!                             

Nas férias, na casa da amada vovó Martirio, em Araçatuba assistia a “matinê”. MAZZAROPI, em sessão que precedia o “filme estrangeiro”. Meus pais falavam: “Vamos prestigiar o CINEMA NACIONAL.”. Os filmes eram exibidos no famoso Cine Peduti... Kiko, o 1º namorado... o 1º beijo foi ali.... rapidinho para o “lanterninha” não ver.... No ARAÇATUBA CLUBE brincava o CARNAVAL! Mamãe preparava as fantasias. A experiência de ser uma “personagem carnavalesca” era prazerosa. Sabíamos de cor as marchinhas. Tia Luzia ajudava na finalização, cabelo, maquiagem e dava-me carona até o clube! Mulher preparada, culta, mente aberta, uma referência de vanguarda, um modelo de “mulher” a frente de sua época.

Em nossa casa no Ipiranga tinha sessão de cinema!!!! Fato raro na época. Teatrinho de sombras com velas...Brincar de selva! O dia da “poda anual da seringueira” era um capítulo a parte!!! Papai fazia uma barraca com os galhos. Acendia uma “brasa” onde as crianças faziam a “paneladinha”. Comíamos um arroz delicioso!!! Com muita fuligem e gostinho defumado!!! Era uma festa! No final da tarde mamãe ficava horas tentado tirar da pele as nódoas escuras do “leite” da árvore.

Papai, homem erudito, amante das artes, me levava à missa e depois ao concerto no Theatro Municipal. Líamos juntos o jornal, ele o estadão e eu o “estadinho”. Não perdíamos uma estreia no cinema RIVIEIRA na Av. Lins de Vasconcelos. Papai dizia “vamos prestigiar o cinema do bairro”. Quando era um clássico da literatura, ele comprava o livro, líamos e depois assistíamos ao filme (O MEU PÉ DE LARANJA LIMA...). Íamos às ÓPERAS, espetáculos infantis de teatro, a noite ouvíamos juntos a coleção de discos de músicas clássicas e Jazz, onde relava sobre os compositores, aos sábados íamos lavar o carro... neste momento ele contava suas histórias. Relatos de vida! Me ensinou valores éticos, o “poder” e a “importância” do dízimo e da caridade. Ele era muito caridoso: ajudava várias entidades, dentre elas o Instituto Padre Chico para cegos no Ipiranga. Me ensinou a JAMAIS recusar um prato de comida aos mendigos que tocavam a campainha de nossa casa. Ele dizia! “É JESUS QUE ESTÁ TOCANDO A CAMPAINHA DISFARÇADO DE MENDIGO”. Era eu a encarregada de lavar a “lata e os talheres” e organizar a comida. Suas histórias tinham a “crueza” da realidade e a “magia” de uma “boa contação”. Ajudava uma tia solteira e idosa chamada Zulmira. Pedia para que desse atenção a ela.  Que ouvisse as suas lamentações. A sua saúde não era boa. “Ela não tem filhos, não tem marido. Está velha. Não tem ninguém por ela. Precisamos ajudá-la”

Viajamos muito! Todos os anos papai trocava de carro. Sempre um carro zero! Organizava um roteiro incrível. Na viagem ouvíamos samba (Martinho da Vila) e clássicos sertanejos (Cascatinha &Inhana, Tonico e Tinoco). Fomos até as Cataratas do Iguaçu. Parando em muitas cidades de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Ficávamos nos melhores Hotéis. Não me esqueço do “CTG RINÇÃO DA LEALDADE” em Caxias Do Sul. Um excelente ator local contou a história do Negrinho do Pastoreio.... A primeira “catarse” cênica que vivenciei. Lembro-me de ter chorado com a trágica história. Naquele momento tive a certeza que deveria seguir o OFICIO de atriz. TODOS os anos no dia de meu aniversário papai me levava para almoçar. Fiz curso de etiqueta para acompanhá-lo aos coquetéis e compromissos sociais.

Estes são relatos singelos de minha infância recheada de afeto de meus amados pais. Havia um GRANDE esforço da parte deles em fornecer esta imersão ao mundo e seus encantos. A concorrência com a TELEVISÃO era muitas vezes desleal! Lembro-me que se fosse por mim ficava direto em frente a TV. Enquanto as famílias ficavam sem conversar diante da TV, meus pais se esforçavam para interagir com as crianças. As refeições eram realizadas na mesa.

Muitos dos valores transmitidos na infância fui dar valor tardiamente. Penso que cabe aos pais não desanimarem. Um dia esta vivência fará a diferença.

Atualmente o desafio é que todos nós tenhamos TEMPO para nos dedicar a atividades presenciais saudáveis. Estamos errando a mão.... Hoje há muita contradição. Dizemos: “não fique no celular” mas estamos o tempo todo no celular. O que educa é o fazer e não o falar....

Fiquei feliz em observar que os “pais” das crianças, em “tempos de pandemia” estão retomando os laços de afeto que só as atividades presenciais são capazes de proporcionar. Estes momentos são legados para a vida toda. Um solo fértil para desenvolver a criatividade, controle dos “medos”, resiliência e soluções para problemas reais, equilíbrio emocional para a fase adulta.

Que após a pandemia este hábito seja mantido. Que as crianças brinquem e sonhem.

Essa reflexão faz parte da série Vem aí “O SEGREDO DA GALERA” Filme de Crys Fontana com estreia prevista para 2021. Ainda sem data para exibição.

SINOPSE: Uma “notícia falsa” propagada pelas redes sociais na internet trouxe graves consequência para alunos, pais e professores de uma escola. O projeto “O Segredo da Galera” foi proposto pela psicóloga Mazinha para a retomada das relações presenciais saudáveis, sem a influência eletrônica.

Crys Fontana. Atriz e diretora. Especialista em Teatro Educação. Criadora do Método Fontaninha de Interpretação.

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São Paulo. 20.01.2020.

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  1. Antes o desafio era criar soluções para dosar o tempo da criança diante da TV. Hoje administrar o tempo da “família” e o uso dos meios eletrônicos e redes sociais.

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